A UEFA Europa League 2025/26 reafirma seu papel como o grande palco de oportunidades para jovens talentos do futebol europeu. Historicamente, a competição serviu de trampolim para estrelas como Erling Haaland, Bruno Fernandes e Frenkie de Jong — jogadores que começaram discretamente e logo conquistaram o cenário mundial.
Nesta edição, o fenômeno se repete com força. A Europa League se torna, mais do que nunca, uma vitrine para atletas sub-21 de clubes médios que desafiam os gigantes e atraem os olhares atentos dos maiores scouts da Europa.
As novas joias da temporada
Entre as revelações que mais chamam atenção, alguns nomes despontam com atuações decisivas, talento refinado e maturidade surpreendente.
Arda Güler (Fenerbahçe)
Aos 20 anos, o turco Arda Güler é um dos símbolos dessa nova geração. Após breve passagem pelo Real Madrid, ele reencontrou no Fenerbahçe um ambiente ideal para recuperar minutos e confiança. Sua habilidade em espaços curtos, visão de jogo e bola parada o tornam uma das maiores promessas da competição.
Güler é o tipo de jogador que transforma partidas com passes improváveis e tem sido peça central no esquema tático turco. Para o Fenerbahçe, sua presença é também um atrativo comercial — camisas, transmissões e seguidores nas redes sociais crescem a cada rodada.
Pablo Barrios (Atlético de Madrid)
Com apenas 21 anos, Pablo Barrios é o novo maestro do meio-campo colchonero. Simeone, conhecido por privilegiar jogadores experientes, cedeu espaço ao jovem pela consistência tática e pela maturidade em campo. Barrios é moderno: combina marcação, passe vertical e leitura de jogo.
Seu desempenho na Europa League 2025/26 reforça a ideia de que o Atlético está passando por uma transição geracional, com jovens mais técnicos e dinâmicos equilibrando o DNA competitivo da equipe.
Milos Kerkez (Benfica)
O lateral-esquerdo húngaro Milos Kerkez representa o típico perfil da Europa League: jovem, subvalorizado e absurdamente talentoso. Sua chegada ao Benfica confirmou a fama de ser um dos defensores mais promissores da Europa. Forte fisicamente e incansável na recomposição, Kerkez alia vigor defensivo e capacidade ofensiva.
Aos 21 anos, já desperta o interesse de clubes da Premier League. No esquema do técnico Roger Schmidt, ele é peça essencial para a saída rápida em transição — e um nome certo nas próximas janelas de transferência.
Matheus Gonçalves (Sporting CP)
O brasileiro Matheus Gonçalves, emprestado ao Sporting CP, é outro destaque da temporada. O ponta de 20 anos, revelado pelo Flamengo, vem encantando a torcida portuguesa com dribles rápidos e improvisação. Sua adaptação ao futebol europeu surpreendeu até os analistas mais otimistas.
A versatilidade de Matheus — capaz de jogar pelos dois lados do ataque — o torna uma arma tática valiosa. Ele é um dos exemplos mais claros de como a Europa League serve de laboratório para jovens brasileiros ganharem visibilidade internacional.
A importância da Europa League como vitrine
Mais do que um torneio alternativo, a Europa League é uma plataforma de crescimento para jogadores e clubes. Equipes médias, como Fiorentina, Union Berlin, Braga e Anderlecht, utilizam a competição como vitrine técnica e financeira.
Os jovens ganham minutos em contextos competitivos, enfrentando adversários de alto nível, enquanto os clubes ampliam seu alcance internacional. Cada boa atuação pode significar milhões em futuras transferências.
Segundo relatórios da UEFA, mais de 30% dos jogadores vendidos para grandes ligas em 2024 atuaram na Europa League nas temporadas anteriores — um número que demonstra o poder de exposição do torneio.
O papel dos clubes formadores
Por trás de cada revelação, há um sistema de formação cada vez mais estruturado. Clubes conhecidos por lapidar talentos continuam ditando tendências.
Ajax: o modelo holandês de excelência
O Ajax, de Amsterdã, segue como referência global em desenvolvimento. Sua política de dar minutos a jogadores de 17 a 20 anos nas competições europeias é parte da cultura do clube. Além do retorno esportivo, há também o financeiro — o Ajax lucra mais de €100 milhões por temporada com transferências formadas internamente.
Red Bull Salzburg: o laboratório austríaco
O Red Bull Salzburg mantém uma filosofia voltada para o alto rendimento e a inovação. O uso de dados, monitoramento fisiológico e psicologia esportiva ajuda jovens a atingirem o máximo potencial antes dos 22 anos.
A cada temporada, o Salzburg revela pelo menos dois ou três jogadores que logo despontam em grandes clubes. Este ano, o meia esloveno Benjamin Šeško é um dos nomes mais observados.
Anderlecht e a tradição belga
Na Bélgica, o Anderlecht é outro exemplo de sucesso. Seu centro de formação, o Neerpede Academy, é considerado um dos melhores da Europa. Lá, jovens aprendem desde cedo a importância do jogo posicional e da mentalidade coletiva. O resultado? Uma linha contínua de talentos exportados para as cinco principais ligas.
O olhar brasileiro: exportação e identidade
O Brasil mantém papel central nessa engrenagem de talentos. Cada vez mais jovens deixam o país antes dos 20 anos em busca de espaço na Europa. A Europa League, com clubes de médio porte e menos pressão, se mostra ideal para essa adaptação.
Marcos Leonardo (Roma)
O ex-santista Marcos Leonardo vive uma grande temporada com a Roma. Seus gols e movimentação ofensiva o colocam como um dos principais artilheiros sub-21 do torneio. Além de eficiência, Marcos mostra personalidade — algo essencial para prosperar em um ambiente competitivo como o europeu.
Ângelo Gabriel (Strasbourg)
Outro caso é o de Ângelo Gabriel, ponta de 19 anos que pertence ao Chelsea e está emprestado ao Strasbourg. Rápido, ousado e criativo, ele vem acumulando bons números e se tornando peça-chave na equipe francesa. Especialistas já o apontam como futuro integrante do elenco principal do Chelsea.
Esses exemplos mostram como o futebol brasileiro continua sendo uma das maiores fontes de talento bruto para a Europa. No entanto, o desafio permanece: adaptar-se taticamente, fisicamente e emocionalmente ao estilo europeu.
A força da juventude e o futuro da Europa League
O sucesso dos jovens talentos não é apenas uma boa história — é parte da estratégia da UEFA para reposicionar a Europa League como um torneio moderno e atrativo.
Nos últimos anos, a entidade vem reforçando o valor da competição ao incluir premiações maiores, transmissões dedicadas e formatos de conteúdo voltados ao público jovem. O foco está em transformar o torneio em um espaço onde o futuro do futebol se revela diante dos olhos do mundo.
Em 2025/26, essa missão se concretiza: a média de idade das equipes participantes é a mais baixa da década, e o engajamento digital cresceu mais de 40% em comparação a 2023.
Conclusão
A Europa League 2025/26 é, sem dúvida, a liga da descoberta. Cada rodada revela uma nova promessa, um talento inesperado ou uma história de superação que encanta o público.
Jogadores como Arda Güler, Milos Kerkez, Pablo Barrios e Matheus Gonçalves provam que o futuro do futebol europeu — e também mundial — está nas mãos (e nos pés) dessa nova geração.
Para o torcedor atento, acompanhar a Europa League hoje é assistir ao nascimento das próximas estrelas da Champions League e até mesmo das Copas do Mundo.
Mais do que uma competição paralela, a Europa League é o berço das lendas de amanhã.




