A UEFA Champions League 2025/26 não é apenas a maior competição de clubes do mundo — é também o principal laboratório de marketing esportivo do planeta. O torneio deixou de ser um simples campeonato entre gigantes europeus e tornou-se uma poderosa plataforma de negócios, mídia e engajamento global.
Hoje, cada gol, cada celebração e até cada postagem no Instagram faz parte de uma estratégia cuidadosamente desenhada. Clubes, patrocinadores e até atletas operam como marcas globais, com planos de comunicação integrados que atravessam idiomas, fusos horários e fronteiras culturais.
Mas como chegamos até aqui? E o que diferencia o marketing da Champions League 2025/26 de outras edições anteriores?
A estratégia dos gigantes
Os principais clubes europeus entenderam há anos que o futebol moderno é um produto de entretenimento — e que o torcedor é também um consumidor conectado. Por isso, o investimento em branding, conteúdo e relacionamento digital nunca foi tão alto.
Real Madrid: tradição e tecnologia
O Real Madrid segue como um dos maiores exemplos de gestão de marca no esporte mundial. O clube espanhol domina a narrativa entre tradição e modernidade. Em 2025, sua equipe de marketing implementou campanhas que unem nostalgia e inovação, explorando ídolos históricos enquanto apresenta novas tecnologias de engajamento, como NFTs colecionáveis e experiências de realidade aumentada no estádio Santiago Bernabéu.
Cada postagem nas redes sociais do Real Madrid é pensada como uma peça de comunicação global: versões em 10 idiomas, horários otimizados para diferentes continentes e conteúdos exclusivos para mercados estratégicos, como o Brasil, o México e a Indonésia.
Manchester City: o império digital
O Manchester City, por sua vez, investe pesado na expansão digital. O clube criou canais oficiais em português, espanhol, árabe e mandarim, conectando torcedores de continentes inteiros. Além disso, o City lançou transmissões experimentais com realidade aumentada, oferecendo ao espectador a opção de visualizar estatísticas e replays em tempo real.
Mais do que vender camisas, o City busca construir identidade emocional. Suas campanhas publicitárias destacam valores de inovação, sustentabilidade e diversidade — pilares que dialogam com o público mais jovem e com a geração Z, que se identifica mais com propósito do que com tradição.
PSG: o futebol como estilo de vida
O Paris Saint-Germain (PSG) é outro caso emblemático. Sob a liderança de Nasser Al-Khelaïfi, o clube francês se transformou em uma marca de lifestyle global. Suas parcerias com nomes da moda (como Dior, Jordan e Balmain) tornaram o PSG uma referência além do futebol.
O clube aposta em colaborações com artistas, designers e influenciadores, especialmente nas redes sociais. Essa estratégia de “cultura pop + esporte” amplia o alcance da marca e atrai fãs que, muitas vezes, não acompanham o futebol tradicional.
O crescimento fora da Europa
A Champions League 2025/26 é mais global do que nunca. A UEFA e os clubes perceberam que os novos mercados estão fora do eixo Europa-Ocidente. Países como Brasil, Índia, Nigéria e Indonésia tornaram-se estratégicos, com milhões de novos torcedores digitais.
O caso do Brasil
O Brasil, em especial, representa um público apaixonado e hiperconectado. Plataformas como YouTube, TikTok e Kwai são os principais canais de contato entre torcedores e clubes. Muitos brasileiros acompanham as equipes europeias não pela TV, mas por meio de vídeos curtos com gols, bastidores, reações e desafios de jogadores.
O Manchester United, por exemplo, possui uma equipe dedicada apenas à gestão de conteúdo em português. O Real Madrid e o Barcelona fazem transmissões simultâneas com legendas e comentários em tempo real voltados ao público latino-americano.
Ásia e África: novos horizontes
Na Índia e na Nigéria, o crescimento é ainda mais expressivo. Esses países têm jovens que consomem futebol europeu diariamente nas redes sociais. A UEFA tem investido em acordos com canais locais e parcerias com empresas de telecomunicações para ampliar o alcance.
A Champions League, portanto, já não pertence apenas à Europa: é um produto global de mídia, com narrativas adaptadas a cada região do planeta.
O lado financeiro
O marketing global da Champions League também reflete em números impressionantes. A nova estrutura de formato — com mais clubes e jogos na fase de liga — gera mais minutos de exposição, mais transmissões e, consequentemente, mais oportunidades comerciais.
Patrocínios e acordos milionários
Entre os grandes acordos da temporada está a substituição histórica da Heineken pela Budweiser como cerveja oficial da competição. Esse contrato marca uma nova era de branding global, com ativações digitais e campanhas interativas para fãs.
Gigantes de tecnologia como Apple, Google e Samsung também ampliaram suas presenças em acordos de mídia e análise de dados. O uso de inteligência artificial para prever engajamento e personalizar anúncios tornou-se parte essencial da estratégia comercial da UEFA.
Clubes como empresas de mídia
Os clubes, por sua vez, operam como verdadeiras produtoras de conteúdo. Emissoras e plataformas de streaming concorrem com os próprios canais oficiais das equipes, que produzem documentários, minisséries e podcasts.
O “behind the scenes” (bastidor) virou produto premium. O Manchester City, por exemplo, vende assinaturas para fãs que desejam acesso a transmissões internas, treinamentos e entrevistas exclusivas.
Desafios do novo modelo
Apesar do sucesso, o modelo de marketing global da Champions League não é isento de riscos.
A mercantilização do futebol
O principal desafio é equilibrar autenticidade e espetáculo. Quando o futebol se torna um produto demais, corre-se o risco de afastar os torcedores mais tradicionais. A pressão por engajamento nas redes sociais pode sobrepor o foco esportivo. Um erro tático pode render mais memes do que críticas técnicas.
Desigualdade financeira
Outro ponto é a crescente distância entre os clubes ricos e os emergentes. O poder de marketing reforça o domínio de uma elite europeia, deixando equipes menores com menos espaço de visibilidade. A UEFA tenta compensar com redistribuição de receitas, mas o desequilíbrio permanece um tema sensível.
Sustentabilidade da atenção
No ambiente digital, a atenção é o recurso mais valioso. Com tantos conteúdos simultâneos, há um risco real de saturação. Clubes e marcas precisam inovar constantemente para não se tornarem “mais do mesmo”. O público exige autenticidade, emoção e propósito — não apenas brilho publicitário.
A resposta da UEFA
A UEFA busca se posicionar como guardiã do equilíbrio. Seu foco está em garantir que o espetáculo comercial não sobreponha o valor esportivo. Iniciativas como a Champions League Fan Week, transmitida globalmente com foco em inclusão e cultura, buscam reforçar a conexão emocional.
Além disso, a UEFA investe em programas de responsabilidade social e ambiental, associando sua imagem a temas contemporâneos como sustentabilidade, diversidade e igualdade de gênero — fortalecendo o vínculo com as novas gerações.
Conclusão
O marketing global é hoje tão importante quanto a tática. A Champions League 2025/26 é o reflexo de uma era em que o futebol ultrapassa o campo e invade o cotidiano digital dos torcedores.
Os clubes não vendem apenas vitórias, mas experiências, emoções e pertencimento. Cada um deles é uma peça de um ecossistema global de entretenimento e paixão.
O futebol se tornou, definitivamente, uma indústria multinacional da emoção — e a Champions League é o palco principal onde paixão e negócio se encontram.




