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A UEFA Champions League vive um momento de profundas transformações nos bastidores da sua comercialização de mídia e no formato de apresentação da competição. A partir da temporada 2027-28, a entidade gestora UEFA (União das Associações Europeias de Futebol) prepara mudanças que prometem alterar substancialmente a forma como o principal torneio de clubes da Europa é visto globalmente.
Segundo anúncio oficial, a UEFA, em conjunto com sua parceira comercial Relevent Football Partners, lançou o processo de licitação de direitos para o ciclo 2027-2031, com foco em torná-lo mais global, digital e adaptado ao consumo contemporâneo. Reuters+2InfoMoney+2
Alguns dos principais pontos informados:
- Criação de um pacote denominado “first-pick” para um jogo de destaque por rodada da Champions, com apelo especialmente para plataformas de streaming. Reuters+1
- O primeiro jogo da nova temporada será uma partida de gala, com o campeão da edição anterior atuando em casa, em data especial, de forma isolada. AP News
- A licitação abrangerá simultaneamente os principais cinco mercados europeus (França, Alemanha, Itália, Espanha e Reino Unido) — algo inédito em amplitude. Reuters
- A expectativa de receitas visadas ultrapassa os 5 bilhões de euros anuais, superando os valores correntes (cerca de 4,4 bilhões de euros) para a Champions. AP News+1
Essas mudanças não impactam apenas o dinheiro envolvido, mas também o produto-futebol-clubes que os espectadores irão consumir. Mais jogos exibidos, mais exclusividade de canais ou plataformas, e a valorização de eventos especiais (como o jogo inaugural da temporada) significam que clubes terão ainda mais visibilidade — e pressão — para performar na competição.
Impactos para o Brasil
No Brasil, onde a Champions League já é transmitida por emissoras como SBT (TV aberta) e o grupo Warner Bros. Discovery (TV fechada/streaming) até o fim do ciclo atual (2026/27) conforme contratos renovados. Nova Difusora+1
Com a abertura para plataformas globais de streaming (como Netflix, Amazon Prime Video e Apple TV+), o mercado brasileiro poderá ter disputa ainda mais acirrada pelos direitos de transmissão — o que pode significar novos formatos de acesso (maior custo ou mais canais digitais) ou até inclusões de pacotes exclusivos para streaming.
O que muda para os clubes
Para os clubes que participam da Champions, o cenário de maior exposição significa que:
- As receitas provenientes da competição tenderão a subir, tanto via mídia quanto via patrocínios que valorizam essa visibilidade global.
- A necessidade de planejamento estratégico e à comunicação internacional torna-se mais evidente: marcas, merchandising e internacionalização já eram importantes, mas agora ganham escala.
- A calendarização e preparação física também podem sofrer adaptação: maior foco em jogos-evento, talvez maior exigência de performance desde fases iniciais.
Desafios e oportunidades
Desafios:
- Para os torcedores: adaptação a novos modelos de acesso (mais streaming, menos TV tradicional), possivelmente mais custos ou fragmentação.
- Para clubes de menor expressão: competir em visibilidade e receita frente aos “gigantes” do continente pode ficar mais difícil.
- Para a UEFA: garantir que o formato fique acessível mundialmente e não se torne elitista ou demasiadamente comercial em detrimento da essência competitiva.
Oportunidades:
- Para novos mercados e plataformas digitais: a Champions torna-se produto apetecível para streaming e monetização global.
- Para torcedores fora da Europa: maior chance de acesso global, com formatos adaptados a diferentes fusos e plataformas.
- Para a marca Champions League: fortalecimento como “evento global”, não apenas regional europeu.
Conclusão
A revolução anunciada pela UEFA para a Champions League representa uma transformação estrutural — não apenas no futebol, mas na forma de consumi-lo globalmente. Para o Brasil, que já acompanha de perto o torneio, significa ficar atento a mudanças de plataforma, pacotes e formas de acesso. Para clubes e mercado, é hora de alinhar estratégia ao novo cenário. O futebol de elite europeu está se renovando — e levará consigo a forma como nós, fãs brasileiros, o assistimos.




